domingo, 1 de novembro de 2009

CACTO E FLORES

Há alguns anos uma amiga muito especial (obrigado, Mirian) me deu um cartão. Havia nele a figura de um cacto emoldurada por uma área desértica, banhada com um sol forte. No cacto havia uma flor de cor viva, e no verso do cartão uma frase: “nenhum cacto é tão compacto que não dê lugar as flores.”
Aquela era uma mensagem muito importante, que naquele instante foi dita DE UMA OUTRA FORMA e que foi resgatada por minha memória como um bálsamo para aliviar a pressão de um momento muito difícil. Coisas assim acontecem todos os dias, mas nem sempre estamos atentos o suficiente para receber este milagroso remédio e aproveitar seus efeitos calmantes, estimulantes e revigorantes. Precisamos abrir os olhos para as flores quando estamos cercados pelos cactos espinhosos de um dia difícil.
Quero dar um exemplo pessoal. Estou vivendo dias amargos, pressionado por uma decisão que preciso tomar. Parece que qualquer caminho que eu escolha vai me conduzir a uma imensa plantação de cactos espinhosos, onde fatalmente vou me arranhar... Pressões comuns ao mundo do trabalho, mas desconhecidas de alguém que gosta extremamente das pessoas. Pressão que sofre alguém que ouve as pessoas e descobre que existe uma clara divisão de pensamentos sobre o que deve acontecer. São pessoas que aconselham, que argumentam, que intercedem e que se preocupam, mas que por mais que queiram não podem assumir as conseqüências da decisão junto comigo.
Coisas deste tipo roubam a alegria. Decisões assim ficam piores quando há pressão do tempo, quando um prazo imposto se apresenta e quando o som do relógio e o cair das folhas do calendário parecem acelerados... Não deviam existir situações de trabalho onde o melhor a ser feito pela lógica seja justamente o pior a ser feito no entender dos sentimentos. Mais coisas assim existem, e brincam com nossa auto-estima, enfraquecem nossa confiança e nos causam medo de magoar, de ser magoado, de estar agindo certo, de estar fazendo realmente o melhor...
Cactos, cactos e mais cactos em um deserto assolador. Aí, de repente, quando você se sente oprimido e arranhado começa a pensar em como precisa da ajuda de Deus...
Um anjinho chamado Luana, com 4 aninhos foi a ajuda que o bom Deus me enviou. Trabalho em uma escola, e ao final das aulas gosto de dar volta pelo pátio. Ela veio correndo quando me viu, e disse a frase que estendeu a escada para meu colo: “Tô querendo você. Me pega?” com os bracinhos pra cima e a carinha mais confiante do mundo. Fiquei ali, conversando com as professoras e com a pequenina nos braços...
Depois de algum tempo, ela olhou pra mim e perguntou se eu tinha uma filha pequena. Eu disse não. Perguntou se eu tinha uma filha grande, e eu disse que não (apesar de ter amigas tão queridas e especiais que são como filhas de muita consideração). Luana ficou me olhando e disse que se eu quisesse ela podia ser minha filha um pouquinho... Falou que sou cheiroso (depois de um dia inteiro de trabalho) e que meu colo era muito bom... Quando menos se espera Deus te mostra uma flor brotando em meio ao cacto mais feio e seco...
Meu medo de não ser compreendido sumiu. Minha ansiedade pelo que as pessoas possam pensar de minha decisão desapareceu. Meu compromisso em ser transparente se apresentou com força total. Minha decisão de gostar das pessoas e procurar resolver as situações ruins armado de amor e de fé ficou ainda mais firme.
“Nenhum cacto é tão compacto que não dê lugar às flores” é uma excelente forma de dizer que situações difíceis não devem abalar a certeza que você tem da pessoa que é. As decisões podem ser difíceis e você pode estar inseguro, pode até mesmo errar e sofrer as conseqüências de uma escolha equivocada, e fazer sofrer pessoas que gosta, mas você não pode se omitir. Uma flor brotando em um cacto é uma mensagem de Deus que pode estar querendo dizer que onde existe amor sincero, você é visto por Ele e pelas pessoas que te cercam pelo que você é realmente.
Lembre-se de fazer sempre a distinção entre o que você é e o que você faz. Aí pode estar a chave para o perdão a si mesmo e uma vida de autoconfiança. Pense nisto.

Cláudio Alves Meirelles
http://deumaoutraforma.blogspot.com/2008/11/cacto-e-flores.html

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